sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

A melancia calada




Por Marise Jalowitzki
12.fevereiro.2016

Uma das coisas que A-M-O no verão é comer melancia! A fruta o mais próximo possível do que ela já foi um dia (rimou...), Cheia de semente, super doce, pois amadureceu no sol (e não forçada!), uma 'surpresa' ao abrir... não se sabe ao certo se ela terá uma casca mais grossa ou mais fina.

E, em alguns bairros, há uma tradição: comprar do ambulante. Coisa que está ficando mais rara a cada ano. Antigamente (põe antigamente, nisso!) vinham de carroça, dois bois de canga puxando. Depois a carroça virou charrete (carrocinha) e era puxada por um cavalo só. Hoje, felizmente, com a lei que proíbe a exploração de animais 'de tração' se expandindo para várias cidades deste brasilzão, aparecem os carros. Chega de explorar e judiar dos bichos!

Aqui no bairro (moro neste há quase 8 anos), há um carro destes bem velhos (desses tio chevette, mas em bom estado) e um chamado que começa lá por novembro. Dá uma sensação boa ouvir a gravação e o motorista andando mais rápido do que devia! Como descer do 4º andar se ele não para o carro?!

E a gravação é sempre a mesma!
"Olha a melancia, melancia, freguesia!
Olha a melancia, melancia, freguesia!
Doce, doce, doce!
Doce, doce, doce!
'Calemo' e 'partimo' no meio!
'Calemo' e 'partimo' no meio!
Doce, doce, doce!
Parece até que é mel! Mas não é! É melancia!"

E aquilo vai se repetindo, até sair dos ouvidos, que já gravaram tudo... Chegou o verão!

O homem e seu filho vendem melancias "não batizadas", isto é, as que não contêm agrotóxicos nem receberam hormonios de crescimento, nem são OGM - Organismo Geneticamente Modificados (para ter o mesmo tamanho, pra não ter muita semente...essas bobagens que tantos idolatram e que, muitas vezes, tiram o sabor e, muitas vezes, a saúde, as propriedades saudáveis dos alimentos.

Para quem não sabe: "calemo" (calamos) é um termo regional "calar a melancia" significa cortar um pedacinho, geralmente um quadradinho que o vender faz para provar que a melancia está 'no ponto'. E o "partimo(s) no meio" é só pra facilitar ao cliente (freguês). Não é que vendem a metade, pois isto vai contra as normas estabelecidas pela vigilância sanitária.

A 'técnica' para reconhecer se a melancia será bem gostosa (e madura) é observar o restinho de caule (que, em criança, chamávamos de 'rabinho'): se ele está levemente verde perto da melancia e seco logo após, com sinais de que foi torcido, é porque foi colhido prematuramente e pode conter partes 'brancas' ( de fruta ainda em maturação) nada doces. Se está todo sequinho, ficou tempo suficiente no pé. Olhar a casca também dá pistas: casca lisa, do verde rajado não muito escuro e sem furinhos na parte que esteve mais em contato com o solo, são dicas certeiras.

Há pouco ouvi o refrão novamente.E foi chegando uma ponta de saudade, pois o verão que tanto judia (É MUITO quente e abafado em Porto Alegre!), também tem seus encantos. Como tudo na Vida! E saborear uma melancia gelada, um pratão bem grande pra receber os grãos e o sumo que escorre, é uma das coisas que, a mim, fez-faz esta existencia valer a pena. Comer muito, até não aguentar mais, sentir a barriga pesada e ter de ir ao banheiro várias vezes. Que legal! Fruta saudável, excelente para os rins e SNC -Sistema Nervoso Central. Para pessoas (também crianças) que são lentas, tristinhas, tidas como depressivas.

Aqui guardamos as sementes sempre, para triturar e dar para quem tem problema nos rins. Nós não temos. No oriente fazem pão com as sementes de melancia trituradas até virar farinha. Um pão especial. Ainda não experimentei. Mas estou guardando as sementes sequinhas ao sol, para ver o que dá, mais tarde.

Gratidão, Vida!


http://marisejalowitzki.blogspot.com.br/2016/02/a-melancia-calada.html

 Marise Jalowitzki é educadora, escritora, blogueira e colunista. Palestrante Internacional, certificada pelo IFTDO - Institute of Federations of Training and Development, com sede na Virginia-USA. Especialista em Gestão de Recursos Humanos pela Fundação Getúlio Vargas. Criou e coordenou cursos de Formação de Facilitadores - níveis fundamental e master. Coordenou oficinas em congressos, eventos de desenvolvimento humano em instituições nacionais e internacionais, escolas, empresas, grupos de apoio, instituições hospitalares e religiosas por mais de duas décadas Autora de diversos livros, todos voltados ao desenvolvimento humano saudável.







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